Desenvolvimento pré-natal

Concepção e Desenvolvimento Embrionário

O primeiro passo no desenvolvimento de um ser humano singular é, obviamente, a concepção – o momento em que um único espermatozóide do homem atravessa a parede do óvulo proveniente da mulher. É claro que a concepção não ocorre a qualquer momento. O óvulo precisa estar numa posição onde possa ser alcançado pelo espermatozóide, e isto ocorre num breve período durante cada ciclo menstrual. Em geral uma mulher produz um óvulo por mês, a partir de um dos dois ovários (embora algumas mulheres, naturalmente ou em função de drogas para fertilidade, produzam mais do que um óvulo por mês e, assim, possam conceber mais do que uma criança por vez). O óvulo viaja do ovário, caindo pela trompa de Falópio dentro do útero e, algumas vezes durante a jornada, se a mulher teve um intercurso recentemente, um espermatozóide pode alcançar o óvulo e atravessar a parede externa da célula: uma criança foi concebida. Se a concepção não ocorrer, o óvulo desintegra-se no útero em poucos dias e assim, não há possibilidade de concepção até a próxima ovulação.

Se a concepção ocorreu, os 23 cromossomos da célula espermática e os 23 cromossomos do óvulo combinam-se para produzir os 23 pares de cromossomos que irão orientar o desenvolvimento de uma única criança.

Em torno do embrião está uma série de membranas, dentro das quais há uma substância líquida (líquido amniótico). A placenta é um órgão básico que separa a corrente sangüínea da criança e da mãe, através da qual passam as substâncias nutritivas para a criança em desenvolvimento. O embrião, é ligado a placenta por meio do cordão umbilical, no qual há duas artérias e uma veia, que levam e trazem o sangue do embrião, via placenta. A corrente sangüínea da mãe também é aberta para a placenta, mas entre o sangue da mãe e o do embrião há membranas que servem como tipos de filtros, prevenindo a passagem de muitas substâncias potencialmente prejudicais como, por exemplo, viroses. Os componentes importantes do sangue da mãe como proteínas, açúcares e vitaminas passam através da membrana para a corrente sangüínea da criança, da mesma forma que certas drogas (álcool, nicotina, etc.).

A criança em desenvolvimento continua a ser denominada embrião, até cerca de 8 ou 10 semanas após a concepção. O crescimento durante o período embrionário é extremamente rápido, com rápidas divisões celulares e diferenciação de funções entre as células desenvolvidas.

Período Fetal

Começando por volta do terceiro mês de gravidez, o embrião torna-se feto e permanece por todo o período pré-natal restante. Durante o período embrionário aparecem, virtualmente, todos os principais sistemas de órgãos, além de todas as outras principais partes do corpo e dos rudimentos de músculos e nervos. Os 7 meses restantes envolvem, um processo de refinamento e aperfeiçoamento do que já foi desenvolvido.

Primeiro mês

O embrião já está formado e, embora ele ainda seja minúsculo (mais ou menos do tamanho de um grão de arroz), já existe uma outra vida em você! Daqui a bem pouco, não mais que duas semanas, começarão a se formar o tubo neural (centro nervoso mais tarde transformado no encéfalo e na medula espinhal), o coração, o tubo digestivo, os órgãos dos sentidos e as extremidades (futuros bracinhos e perninhas).

Segundo mês

Agora seu embrião já está mais crescido: de sua cabecinha às nádegas ele mede cerca de três centímetros e seu peso é de aproximadamente seis gramas. O seu coração já está batendo mas não dá para escutar ainda! Seus braços e pernas têm um aspecto mais definido e já apresenta um esboço das mãos e dos pés.

Terceiro mês

Os órgãos reprodutores do seu bebê já estão formados. Será menino ou menina? Você terá de esperar mais um tempo para saber, porque ainda não dá para distinguir com precisão. Os rins, as pálpebras e os olhos já se formaram também, os dentes e as cordas vocais estão sendo desenvolvidos e agora ele é um feto. Está medindo entre seis a oito centímetros e pesando cerca de 14 gramas.

Outros órgãos estão se desenvolvendo, o aparelho circulatório e urinário já funcionam e o fígado já produz bile. Seu coração já pode ser ouvido através de um aparelho chamado sonar e ele já brinca dentro de você, exercitando-se no útero e “nadando” no líquido amniótico (para desenvolver seus músculos). Agora, o seu bebê já está bem alojado na parte superior do útero e dentro de uma bolsa cheia de líqüido amniótico (a chamada “bolsa d’água”).

Este líquido o protege de traumas ou infecções e é constantemente renovado pelo organismo materno, para estar sempre limpo. Ele se renova a cada seis horas e no final da gravidez sua quantidade pode atingir um litro. O líqüido amniótico contém proteína, açúcar, estrogênio, progesterona, prostaglandina, células fetais e outros elementos químicos presentes no organismo da mãe.

Quarto Mês

Seu bebê já está com mais ou menos dez centímetros, pesa cerca de 60 gramas e está sendo nutrido pela placenta, já totalmente formada.

O ritmo de crescimento de seu corpo começa a ser maior que o da cabeça. Os brotos ou germes dentários já estão se formando, assim como os dedinhos das mãos e dos pés já estão bem definidos.
Ele já se diverte dando cambalhotas, embora você ainda não perceba que isto acontece.

Ele vira a cabeça, abre e fecha a boca, movimenta o peito para cima e para baixo como se estivesse respirando, boceja e se estica. Consegue franzir a testa e já faz trejeitos como se estivesse querendo levantar as sobrancelhas.

A PLACENTA

Por volta do terceiro mês a placenta está totalmente formada. A partir daí se desenvolve junto com o feto até a hora do parto, chegando a medir 20 centímetros de diâmetro com 3 centímetros de espessura e pesando cerca de 500 a 700 gramas (1/6 do peso do bebê).

Ela é uma formação de tecidos, semelhante a um pequeno fígado e fica aderida ao útero. A placenta mantém a circulação do feto e tem a função de realizar as trocas respiratórias, absorver nutrientes e excretar, atuando também como barreira contra algumas infecções.

Ela também é responsável pela produção de hormônios na gravidez (progesterona e estrogênios). Enquanto a produção destes hormônios estiver aumentada, a menstruação continua a ser inibida.
No começo da gravidez a placenta também provoca o aumento de produção de um hormônio chamado GCH (gonadotropina coriônica humana), que é em parte o grande responsável pelos enjôos ou “náuseas matinais” (que têm este nome mas podem ocorrer a qualquer hora do dia).

A partir do quarto mês a liberação deste hormônio diminui e os enjôos e náuseas cessam ou amenizam. O bebê está unido à placenta através do cordão umbilical e qualquer substância que esteja correndo em seu sangue, estará correndo também no sangue de seu filho, pois a placenta não é um filtro de todas as impurezas.

O cordão umbilical do bebê é constituído por três vasos sangüíneos entrelaçados, sendo duas veias que levam o sangue limpo e oxigenado da placenta para o bebê e um terceiro que conduz o sangue venoso de volta para a placenta. O feto possui o seu sistema circulatório único, só dele. Nunca o sangue da mãe se mistura com o do bebê.

Quinto Mês

Seus movimentos agora já podem ser sentidos por você, pois ele começa a se movimentar e a brincar mais, girando, se enrolando, pulando e dando cambalhotas (uns bebês são mais ativos do que outros e isto varia de criança para criança).

A parede do seu útero já está mais elástica e isto permite que ele apoie os pés e a cabeça e faça ginástica como ninguém, exercitando os seus pequenos músculos. Como ele está crescendo e ainda existe muito espaço por ocupar, ele aproveita, em geral se movimentando mais à noite, exatamente quando você está em repouso.

Neste período ele já chupa o dedo, num exercício básico para a sucção que o permite treinar para sua futura alimentação. Também neste mês o seu coração já pode ser ouvido e ele executa os movimentos respiratórios (embora não respire ar dentro do útero), já treinando para quando nascer.
Seu corpo está sendo recoberto por uma penugem fina e macia, chamada lanugo. Os cabelos já começam a nascer e os cílios e sobrancelhas estão se formando. Por volta deste mês também começa a se formar a vernix caseosa, uma camada gordurosa fina e protetora que o reveste inteirinho.

Sexto Mês

No final do sexto mês seu bebê já está com aproximadamente 30 centímetros de comprimento e pesa 850 gramas. Sua pele está fina e brilhante, embora vermelha e enrugada, sem apresentar gorduras no tecido subcutâneo. Suas unhas já se formaram, ele abre e fecha as mãos e se movimenta bastante, mantendo os movimentos de sucção do polegar; as pálpebras já se dividiram e os olhos já conseguem se abrir.

E como seus olhos já podem se abrir, começa a perceber a claridade que ultrapassa a parede abdominal. Então, se você está no escuro, lá dentro para ele tudo é escuridão, mas se você estiver num ambiente mais iluminado ou com luz solar, ele poderá perceber uma luminosidade rosada vindo de fora.

OBSERVAÇÕES MUITO IMPORTANTES

Se você ingere muito álcool, ele diminuirá seu ritmo respiratório, porque o álcool debilita o sistema nervoso central que controla a respiração.

Se você fuma, seu bebê também ficará com deficiência de oxigênio, porque seus movimentos respiratórios também ficarão diminuídos.

O oxigênio na corrente sangüínea é diminuído tanto pelo álcool como pela nicotina e estes interferem no sono do bebê.

A cocaína atravessa a parede placentária, lesando-a, reduzindo o fluxo de sangue para o feto e retardando o seu crescimento.

Os bebês são como nós: há dias em que estão mais agitados, sentindo vontade de chutar, soltar os cotovelos e joelhos para todo canto, enquanto em outros dias estão mais calmos. Saiba que isto pode acontecer com o seu filho.

Os movimentos fetais são sentidos de acordo com a atividade da mãe. Se ela se ocupa e se movimenta bastante durante o dia, não conseguirá perceber bem quando o bebê está acordado ou não. Somente à noite ou pela manhã é que estará mais atenta à atividade do feto.
A atividade do bebê também aumenta depois que a mãe se alimenta. Algumas mães também já descobriram que, se estão muito nervosas ou excitadas, a movimentação do bebê também é maior. Isto talvez se deva ao aumento da adrenalina na circulação materna.

Os bebês são mais ativos entre a 24ª e a 28ª semana de gestação.

Não se esqueça: cada feto tem seu ritmo próprio de desenvolvimento e atividade. Então, desde que não haja redução radical ou desaparecimento do ritmo de atividade habitual do bebê, todas as variações são normais.

Se por acaso seu bebê está dando chutes dolorosos e socos incríveis, como se estivesse tendo um acesso de raiva, procure mudar a sua posição (deitada para sentada ou em pé para deitada) para conter este pequeno rebelde.

Há horas em que parece que todo um estádio de futebol está dentro da sua barriga, os dois times e mais a torcida, de tanta movimentação existente. Fique calma, pois por enquanto ele tem espaço e é bom que aproveite. Logo mais isto tenderá a diminuir, pois o tamanho de seu corpo irá aumentar e o espaço ficará restrito somente à área do gol.

Sétimo Mês

No final deste mês seu bebê suga com mais força o polegar, soluça, chora e já pode sentir um sabor amargo ou doce. Pode responder à estímulos como a luz, dor e sons.

A função da placenta começa a declinar e o volume do líquido amniótico principia a diminuir. Ele já pesa aproximadamente 1.500 gramas e mede 24 centímetros da cabeça às nádegas. Antes, os sons eram sentidos por ele sob a forma de pequenas vibrações; agora, seus terminais nervosos já estão mais desenvolvidos e ele consegue perceber bem melhor as coisas.

Como ele já está mais crescido, seus movimentos já não têm grande amplitude mas continuam – e como! Ele consegue, mamãe, ouvir os sons do seu aparelho digestivo, do seu coração bombeando o sangue e escuta o barulho dos pulmões quando o ar entra e sai deles para você respirar.

Se você está num lugar muito barulhento, seu bebê consegue sentir as vibrações vindas deste lugar. Quando você fala, ele já escuta o som da sua voz (o que leva seu pequeno coração a se acelerar), pois já está se acostumando com ela para reconhecê-la após o nascimento.

Converse com ele e, sempre que possível, ouça músicas suaves e calmas – ele irá ouvi-las também e gostar bastante!

Seu corpo ainda está recoberto pela vernix caseosa (como já vimos, a camada protetora que reveste o corpo do bebê até o parto) e isto pode bloquear um pouco a sua audição, embora ele possa escutar as mesmas músicas que você ouve.

Sua pele está mais translúcida e minúsculas veias já são visíveis através dela. Neste mês ele ainda pode estar sentado (posição pélvica), mas poderá virar, isto é, ficar de cabeça para baixo (posição cefálica) a qualquer momento.

Oitavo mês

No final deste mês, em geral o penúltimo de uma gestação normal, seu bebê está com aproximadamente 45 centímetros e pesa cerca de 2.500 gramas.

O crescimento do encéfalo é maior neste período, o que permite a ele ouvir e ver melhor. Neste mês seu bebê já deve estar de cabeça para baixo e talvez permaneça nesta posição até o momento do parto.

Muitos bebês ficam de cabeça para cima, na posição sentada (também chamada de posição pélvica), mas a maioria deles fica de cabeça para baixo, que é denominada posição cefálica. Mesmo se ele estiver na posição pélvica, quando há espaço (isto é, se o bebê não for muito grande), ele ainda terá tempo e espaço para virar.

Você já percebe neste período a posição de seu bebê: se ele está de cabeça para baixo, vai empurrar com os pés as suas costelas, mas se estiver de cabeça para cima é a sua cabeça que comprimirá suas costelas.

Não se assuste, tudo é suportável!!!

Quando ele se “encaixa” para o parto, fica na posição cefálica e a sua cabeça pressiona os músculos do assoalho pélvico, primeiro suavemente e depois com mais força (você verá detalhes de tudo isto no capítulo Mudanças no corpo da mãe). Como ele está maior agora, um simples movimento pode parecer um grande distúrbio.

Nono mês

Bem, até agora seu bebê esteve hospedado em sua barriga feliz e altamente protegido. Seus pulmões já estão amadurecidos e ele está pronto para nascer a qualquer hora. É só crescer mais um pouquinho e engordar alguns gramas para que seu sistema de regulação de temperatura – quente e frio – esteja pronto para enfrentar as mudanças que ocorrerão quando ele sair do seu útero.

A sua pele ainda continua com a vernix caseosa até o momento do nascimento. Suas unhas estão completamente formadas. Seu cordão umbilical é liso e escorregadio e mede cerca de 50 cm.
Ele está tranqüilo e curioso para conhecer sua mamãe por fora.

E você?

É só aguardar com calma: seu organismo (mãe) e o dele (bebê) é que decidirão o momento deste encontro e como ele se dará.

Participando de todas as atividades físicas propostas no Serviço Meu Bebê, você poderá recebê-lo com pouca dor, sem sustos e sem tensão ou medo mas com muita alegria para que ele seja bem-vindo!

Autor: Angélica Dornelles
Fundação Universitária de Rio Grande

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O que é cólica?

A cólica tem sido definida como um longo período de choro vigoroso que persiste apesar de todos os esforços de consolo. O termo em si vem da palavra grega referente ao intestino grosso, refletindo a crença de que a fonte do desconforto é um problema digestivo. A maioria dos bebês passa por períodos em que parecem anormalmente nervosos ou choram por nenhuma razão aparente. A cólica é mais comum durante os três ou quatro primeiros meses de vida. Pode começar nas três primeiras semanas após o nascimento e geralmente acaba perto dos três meses de idade. É raramente sentida por bebês com mais de seis meses de idade. Durante os seis primeiros meses de vida, os bebês crescem a uma velocidade impressionante. Nessa época, o recém-nascido duplica o peso que tinha ao nascer. Devido à quantidade de alimento que precisam ingerir para sustentar esse crescimento, os bebês muitas vezes sofrem de indigestão e gases. Da mesma forma, o bebê pode engolir ar quando se alimenta ou durante uma ataque de choro prolongado. Engolir ar aumenta as dores por gases. Quando um bebê tem uma dor por gases, pode ser a pior dor que seu pequeno corpo já sentiu. A diferença da cólica para os outros problemas é que, independente do que fizer, o choro não pára. Certas posturas corporais que ocorrem com um ataque de gases também podem ocorrer com a cólica. Por exemplo, seu bebê pode ter uma barriga tensa e distendida, com os joelhos encolhidos no peito, pulsos cerrados e mobilidade anormal de braços e pernas ou costas arqueadas. Suspeite de uma verdadeira cólica quando seu bebê tiver ataques repentinos e sérios de choro alto que duram várias horas; se o choro ocorrer na mesma hora todos os dias, muita vezes à tarde ou à noite; se os episódios de choro acontecem repetidas vezes, começando de repente e terminando de forma abrupta; se seu bebê parece inconsolável e nada que fizer lhe traga conforto; se seu bebê parece zangado e se debate quando o segura no colo; e se parece não haver nenhuma explicação para esses repentes de choro. Se seu bebê tiver cólica, os meses de choro e aflição aparentemente implacável do seu filho podem deixá-lo frustrado, ansioso, confuso, exausto, culpado e inadequado. Uma das principais preocupações ao lidar com um bebê com cólica, além de descobrir formas de confortá-lo, é confiar na sua capacidade de manter e criar um relacionamento amoroso com seu recém-nascido.

TRATAMENTO CONVENCIONAL

A simeticona é um composto que atua na superfície das bolhas de gás quebrando-as, aliviando conseqüentemente a dor e a pressão dos gases. Se grandes bolhas forem o principal problema, esse tratamento pode ser eficaz. A simeticona pode ser comprada sem receita médica na forma líquida, mas deve ser dada apenas se recomendada por um médico. No caso de cólica constante, seu médico pode recomendar supositórios de glicerina para ajudar seu bebê a expulsar os gases ou fezes que causam seu desconforto. Outros medicamentos, inclusive anti-flatulentos, sedativos e antiespasmódicos, são, às vezes, receitados para cólica e ocasionalmente oferecem alívio limitado, mas na maioria dos casos trazem pouco benefício. Além disso, podem ter graves efeitos colaterais. Peça ao seu médico para explicar todos os prós e os contras de qualquer remédio vendido com receita médica antes de dá-lo a um bebê com cólica.

DIRETRIZES ALIMENTARES

Se estiver amamentando e seu bebê tiver cólica, ele pode ser sensível a algo que você esteja comendo. Os agressores mais comuns são laticínios, chocolate, cafeína, melão, pepino, pimentão, frutas e sucos cítricos e alimentos condimentados. É bem provável que você mesma possa ter alergias desconhecidas a determinados alimentos. Para descobrir as alergias alimentares, tente seguir uma dieta de eliminação ou um rodízio alimentar. Seguir essas dietas pode parecer uma tarefa complicada, mas os resultados podem ser bastante animadores. Outra alternativa é manter um diário alimentar para ajudá-la a identificar correspondências entre os alimentos que ingere e os sintomas, tanto do bebê quanto seus. Se descobrir uma sensibilidade desconhecida da qual não tinha suspeitado, o simples fato de evitar o alimento provavelmente a fará se sentir melhor e também aliviará a cólica do seu bebê. Se estiver amamentando um bebê com cólica, tente eliminar da sua dieta alimentos que produzam gás, inclusive couve-flor, brócolis, couve-de-bruxelas, pepino, pimentão verde e vermelho, cebola, favas e leguminosas. Outros alimentos na dieta da lactante que podem contribuir para a ocorrência de cólica incluem leite de vaca, banana, frutas silvestres, e qualquer coisa que contenha cafeína. A lactante que amamenta um bebê com cólica deve minimizar a quantidade de alimentos crus na sua dieta. A dieta da lactante deve consistir em 70 a 80% de alimentos cozidos e apenas 20 a 30% de alimentos crus. Siga uma dieta simples. Se seu bebê com cólica toma mamadeira, sua fórmula pode estar causando o problema. Pergunte ao seu médico se é aconselhável usar uma fórmula infantil diferente.

SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS

O Lactobacillus acidophilus promove uma flora intestinal saudável, o que facilita a digestão e pode debelar a cólica. A lactante deve tomar ½ colher de chá, duas vezes ao dia. Dê ao seu bebê que toma mamadeira 1/8 colher de chá de pó de acidófilos, dissolvida na fórmula, duas vezes ao dia. O Lactobacillus bifidus é outra bactéria benéfica que ajuda a melhorar a digestão. Alguns especialistas pensam que essa bactéria pode ser mais eficaz que o Lactobacillus acidophilus para bebês. A lactante deve tomar uma dose, duas vezes ao dia. Dê ao bebê que toma mamadeira 1/8 colher de chá de pó de acidófilos, dissolvida na fórmula, duas vezes ao dia.

TRATAMENTO FITOTERÁPICO

O chá de camomila é um calmante e relaxante conhecido. A lactante deve beber uma xícara, duas vezes ao dia. Dê ao bebê que toma mamadeira 1 colher de chá, três vezes ao dia, no leite ou na água, durante três ou quatro dias. Em seguida, diminua a dose para duas vezes ao dia. O funcho também pode ser útil para aliviar a cólica. A lactante pode beber uma xícara de chá de funcho, três vezes ao dia. Ou dilua uma xícara de chá de funcho em duas xícaras de água e dê ao bebê 1 colher de chá, quatro vezes ao dia. A lactante pode beber uma xícara de chá de gengibre, três vezes ao dia, para ajudar a aliviar a cólica do seu bebê. O chá de hortelã-pimenta ajuda a acelerar o tempo de esvaziamento do estômago, melhora a digestão e atua como anti-flatulento. Dê ao seu filho 1 colher das de chá de chá de hortelã-pimenta, de quatro a cinco vezes ao dia. Observação: Se estiver dando ao seu filho chá de hortelã-pimenta e um preparado homeopático, faça um intervalo de uma hora entre um e outro. Do contrário, o forte cheiro do hortelã-pimenta pode interferir na ação do remédio homeopático. Tente dar ao seu bebê um chá de várias ervas. Pesquisadores israelenses administraram uma dose diária de cerca de ½ xícara de chá feito de camomila, alcaçuz, funcho, e erva cidreira a bebês com episódios de cólicas e descobriram que os sintomas diminuíram em mais da metade das crianças estudadas.

HOMEOPATIA

Como a maioria das fórmulas homeopáticas, os remédios relacionados são específicos para um determinado sintoma. Com base no seu conhecimento do seu bebê com cólica, escolha o remédio adequado.

Colocynthis e Magnesia phosphorica, dois relaxantes abdominais, são os remédios homeopáticos mais receitados para cólica. São eficazes principalmente quando usados conjuntamente. Dissolva uma dose de Colocynthis 6ch e uma dose de Magnésia phosphorica 6ch em um pouco de água mineral na temperatura ambiente. Encha todo um contra-gotas e esguiche-o totalmente na boca do seu bebê, três vezes ao dia, conforme necessário. Se a cólica do seu bebê não tiver diminuído após dois dias, pare de dar o remédio. Muito provavelmente, não surtirá qualquer efeito. Carbo vegetabilis é um remédio homeopático para o bebê com cólica, que apresenta o rosto pálido e o abdomem superior distendido. Suas pernas podem estar frias dos pés aos joelhos. Esse bebê é agitado e chora mesmo quando amamentado ou alimentado, e arrota durante muito tempo após comer. Parece sentir-se melhor quando está no colo e pior quando colocado no berço. Dê a essa criança, Carbo vegetabilis 9ch, dissolvendo uma dose em 250 miligramas de água mineral e esguichando algumas gotas na sua boca, três vezes ao dia, durante dois dias ou até que os sintomas melhorem. Se seu bebê tiver o rosto vermelho e quente, choro alto e irritado, mas parar de chorar por um breve período quando colocado no colo, dê-lhe Camomila 9ch ou 15ch. Dissolva uma dose em 250 mililitros de água mineral e esguiche algumas gotas na sua boca, três vezes ao dia, durante dois dias ou até que os sintomas melhorem. Existem fórmulas homeopáticas para cólica que podem oferecer alívio ao seu bebê. Siga as orientações sobre dosagem indicadas no rótulo do produto.

RECOMENDAÇÕES GERAIS

Se tiver um bebê com cólica, procure não ficar nervoso. O estresse e a tensão – tanto seus quanto do bebê – podem contribuir para a cólica e piorar o problema. Se sentir que sua frustração está fugindo de seu controle, converse com um profissional de saúde. Busque apoio emocional e terapia. No meio de um choro relacionado à cólica, experimente uma das seguintes sugestões. Alguns bebês reagem a algumas; alguns (infelizmente) não reagem a nenhuma.

Para ajudar a relaxar as câimbras musculares e acalmar seu bebê, coloque-o sobre seus joelhos ou contra seu peito com um saco de água morna entre você e a barriga do seu bebê. Se seu bebê adorar água, experimente um banho morno e calmante. Massageie a barriga do seu bebê com uma loção ou óleo sem álcool. Seguindo o caminho natural dos intestinos, esfregue suavemente do “canto” direito inferior do abdome até a parte inferior da caixa torácica, descendo para o “canto” esquerdo inferior; repita a operação. Alguns bebês reagem quando são acariciados e ninados. Muitos bebês se acalmam quando você os coloca no colo e anda com eles. Alguns bebês preferem a segurança de serem bem enrolados em um cobertor; alguns preferem cobertas soltas que permitam a livre movimentação. Tente descobrir o que seu bebê prefere. Os bebês com sintoma nervoso sensível podem reagir melhor com a diminuição de estímulos externos. Experimente uma iluminação fraca, menos toques e uma atmosfera tranqüila. Alguns bebês reagem à música calma e tranqüilizante; alguns a gravações de batimentos cardíacos; alguns a gravações dos sons com os quais conviveram nos nove meses de vida uterina, que incluem os batimentos cardíacos da mãe e o som constante do fluxo sangüíneo da mãe circulando no seu corpo. Curiosamente, o som da máquina de lavar roupa muitas vezes parece ter o mesmo efeito. O movimento vigoroso distrai alguns bebês com cólica. Ouvir música animada e saltitar com o bebê no colo talvez não seja sua atividade predileta às 3 horas da manhã, mas sabe-se que tem surtido efeito. Faça seu bebê “pedalar”. Com o bebê deitado de costas no chão, movimente suavemente suas pernas, como se ele estivesse pedalando. Pratique esse exercício várias vezes, todos os dias. Esses movimentos passivos das pernas podem trazer conforto ao sistema digestivo do seu bebê. Faça um curso de massagem infantil para aprender como a massagem ajuda o crescimento e desenvolvimento geral do seu bebê. Seu professor também pode lhe ensinar massagens e técnicas específicas para debelar a cólica.

PREVENÇÃO

Tome nota dos acessos de irritabilidade e choro do seu filho e procure um denominador comum. Veja se seu filho chora mais ou menos na mesma hora, todos os dias. Tente determinar se certos alimentos ou atividades levam ao choro. Se descobrir uma relação, elimine o alimento ou a atividade que considera a causa. Crie um ambiente calmo enquanto alimenta seu bebê e aproveite esse momento junto com seu filho. Ouça músicas relaxantes. Certifique-se de que você e o bebê estão fisicamente confortáveis. Vista-se e ao seu bebê de forma que não sintam frio e estejam à vontade. Garanta que a fralda do seu bebê não esteja muito apertada. Ao alimentar seu bebê, tente segurá-lo em uma posição ereta para que o ar fique acima do leite no seu estômago. Isso ajudará seu bebê a expulsar o ar quando arrotar. Se estiver dando mamadeira ao seu bebê, verifique o tamanho do furo no bico. O leite deve pingar lentamente quando a mamadeira ficar de cabeça para baixo. Se o furo for muito pequeno ou muito grande, seu bebê pode ingerir muito ar enquanto estiver mamando. Para controlar a quantidade de ar que o bebê engole enquanto mama, limite o tempo em que realmente mama a dez minutos. Após cerca de 50 mililitros de líquido, tente fazer com que seu bebê arrote (mas não fique desanimado se ele não arrotar). No final de cada mamada completa, ponha seu bebê para arrotar durante dez minutos. Fique calmo. Alguns minutos a mais, agora, podem evitar um acesso de cólica mais tarde. Se seu bebê não conseguir arrotar após cerca de dez a quinze minutos, coloque-o em uma posição ereta durante cerca de uma hora e tente novamente. Se estiver amamentando seu bebê, elimine os alimentos relacionados na seção Diretrizes Alimentares, e investigue a possibilidade de alergia alimentares. A lactante deve tomar um suplemento de Lactobacillus acidophilus ou bifidus. Se estiver dando mamadeira ao seu filho, administre o suplemento dissolvido no leite. Tente evitar dar muita ou pouca comida ao seu bebê. Regurgitar o alimento após mamadas pode indicar superalimentação; choro ou sucção contínua após a mamada pode indicar subalimentação. Faça o que seu filho mandar. Se seu bebê estiver engordando e se desenvolvendo normalmente, você provavelmente estará no caminho certo.

O QUE CAUSA A CÓLICA?

Embora há muito se presuma que a cólica seja um sinal de dor por gases, na verdade nunca se provou que todos os bebês ou a maioria dos bebês com cólica realmente tenham gases abdominais. A causa certa do problema continua a desconcertar a medicina. Além da possibilidade de dor por gases, há uma série de outras hipóteses relativas às causas da cólica, inclusive:

Alergia à proteína do leite materno ou à fórmula infantil. Técnicas incorretas de alimentação. Espasmos do cólon. Trato intestinal imaturo e hiperativo. Sistema nervoso imaturo e altamente sensível. Temperamento. Tensão em casa. Ansiedade dos pais. Má interpretação do choro por parte dos pais.

Provavelmente, uma combinação de alguns desses fatores, na verdade, faz parte da maioria dos casos de cólica infantil.

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Intolerância à Lactose

O que é?
É a incapacidade de digerir a lactose, que é o principal açúcar do leite e da maioria das fórmulas infantis feitas à base de leite. Intolerância à lactose é o resultado da deficiência (ou ausência) da enzima intestinal chamada lactase. Esta enzima possibilita decompor o açúcar do leite em carboidratos mais simples,para a sua melhor absorção.

Classificação
Há três tipos de intolerância à lactose, que são decorrentes de diferentes processos.

São eles:
1) a deficiência congênita da enzima;
2) a diminuição enzimática secundária a doenças intestinais;
3) a diminuição gradativa da lactase conhecida como deficiência primária, ou ontogenética.
O primeiro tipo é muito raro e acomete crianças logo após o nascimento;
o segundo tipo ocorre na seqüência de diarréia persistente e é bastante comum em crianças no primeiro ano de vida. Para a maioria da população, entretanto, a deficiência da lactase é uma condição freqüente, que aparece gradualmente a partir dos dois anos de idade e acomete, em níveis variados, diferentes grupos populacionais.

Esta forma de intolerância, conhecida como ontogenética, é o motivo pelo qual muitos adultos são incapazes de digerir lactose e podem desenvolver dor abdominal, distensão e/ou diarréia após a ingestão de leite ou de seus derivados.

O que causa
As reações adversas resultam, geralmente, de intolerância à lactose ou de alergia às proteínas do leite.A intolerância à lactose é muito comum. A alergia é uma condição bem menos freqüente, geralmente hereditária, que ocorre quase exclusivamente em crianças pequenas. Nesta situação, há “sensibilidade” a diferentes proteínas do leite de vaca (cabra, e outros mamíferos) e as crianças apresentam distúrbios digestivos variados, comumente associados a manifestações na pele e respiratórias,logo após tomarem leite e/ou seus derivados. A alergia costuma ser transitória e depois de dois a três anos as crianças podem ingerir leite sem problemas.

Uma outra situação clínica na qual não pode, sob qualquer hipótese, ser administrado leite (ou derivados) é a Galactosemia, uma doença congênita do metabolismo muito rara, e que não será tratada neste artigo.

Sinais e sintomas
Na Deficiência Congênita o recém-nascido vai apresentar quadro de diarréia grave nas primeiras horas ou dias de vida, logo após iniciar alimentação com leite materno ou leites substitutivos (de vaca, ou de cabra, por exemplo) que possuem lactose. A Deficiência Secundária geralmente se manifesta após episódio de diarréia infecciosa. Nestes casos, após resolvida a infecção, há persistência da diarréia até que ocorra a cicatrização da mucosa intestinal. Continuar a alimentação com mamadeiras contendo lactose (afora o leite materno) após o início da gastroenterite pode prolongar a diarréia. Crianças pequenas comumente apresentam assaduras na região das fraldas. Na deficiência primária, ou ontogenética, a criança a partir dos três a quatro anos, ou o adulto, pode
apresentar diarréia aquosa, dor ou distensão abdominal, flatulência, náuseas ou vômitos, minutos ou horas após ingerir leite e/ou derivados de leite. A intensidade dos sintomas depende da quantidade de lactose ingerida. Em muitos casos pode ocorrer somente dor e/ou distensão abdominal, sem diarréia.

Exige exames?
O diagnóstico é baseado na combinação de achados clínicos e de exames laboratoriais. Entre os exames laboratoriais mais utilizados estão o teste oral de tolerância à lactose (TTL), o do hidrogênio expirado, e a medida do pH fecal e pesquisa de substância redutora nas fezes. Estes testes podem ser realizados em pacientes não hospitalizados e não são de grande complexidade. Pode-se também utilizar certos testes em fezes recém emitidas. A medida de acidez das fezes e a pesquisa de substâncias redutoras, se presentes, podem indicar má absorção de lactose. Isto porque a lactose não digerida, e fermentada pelas bactérias do cólon, produz ácidos que podem ser detectados nas fezes, entre eles o ácido láctico.

Que cuidados que o doente deve tomar?
O tratamento é fácil de ser instituído mas, paradoxalmente, bastante difícil de ser seguido. Como qualquer orientação terapêutica deve estar baseada no diagnóstico correto. Em primeiro lugar é importante esclarecer que não há como promover a produção de lactase, mas sim como controlar os sintomas. Nos dois a três primeiros anos de vida as crianças com intolerância à lactose não devem ingerir alimentos que contenham lactose. O substituto mais utilizado é a soja. Não há qualquer base para a substituição do leite de vaca pelo de cabra ou de qualquer outro mamífero.

Algumas vezes, crianças mais velhas e adultos não têm necessidade de uma dieta tão severa e podem tolerar pequenas porções de lactose. Há diferenças individuais importantes nas quantidades de lactose que podem ser toleradas. Por exemplo, alguns toleram iogurte, outros não. E não há como prever a intensidade do problema, a não ser através da estratégia de tentativa/erro. Aos indivíduos que têm intolerância limitada, pode-se tentar a introdução de enzimas artificiais para decompor o açúcar. Estas enzimas existem no comércio sob diversas formas: pós, comprimidos e drágeas, mas não estão disponíveis, com facilidade, no Brasil.

Nem sempre é necessário substituir leite por soja na dieta de indivíduos com intolerância à lactose. Hoje em dia, há fórmulas industriais feitas com leite de vaca e isentas de lactose. Estas dietas devem ser supervisionadas por profissionais, sobretudo para o adequado balanço de nutrientes, como o cálcio, que são ingeridos em geral através do leite.

Além do leite e de seus derivados onde mais pode haver lactose?
Embora só o leite e os alimentos feitos com leite sejam as fontes naturais, a lactose é comumente adicionada a diversos tipos de alimentos industrializados. As pessoas com baixa tolerância à lactose devem saber que muitos produtos podem conter leite, tais como: margarina, pães, embutidos (salchichas, presuntada, mortadela, patês, etc), cereais preparados para desjejum, molhos e misturas para bolos e sopas, e muitos tipos de guloseimas e bebidas prontas. É necessário enfatizar também que, além dos alimentos, a lactose poderá estar presente em muitos medicamentos, geralmente formulados como comprimidos. É fundamental que os pacientes e suas famílias se habituem a ler a lista dos ingredientes dos produtos que consomem e, para uma orientação alimentar correta, bem balanceada, consultem especialistas da área.

Autor: Por Themis Reverbel da Silveira  e Fernanda Menegaz Pretto
Com aprovação da AMRIGS

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Sou pai e meu bebê está com cólica

São três horas da manhã. Todos estão dormindo, meu filho começou a chorar. Engraçado, o menino mamou há pouco, estava dormindo… Olho para minha esposa, mas ela já está muito cansada; afinal, cuidar dele não é moleza! Então, eu, como bom pai que sou, me levanto e vou cuidar dele. Ao chegar perto do berço, o examino todo, mas ele não pára de chorar: Não está com fome, a fralda está limpa e não adianta “dar colinho”. O choro é forte e incessante e a criança se estica toda. E agora, o que devo fazer? Foram nove meses de muita ansiedade na espera, uma tremenda alegria ao nascimento e uma grande festa da família na chegada da maternidade.

O bebê agora passa a ser o centro da atenção e trabalho do lar, não permitindo que pai e mãe saiam um só instante da rotina de dar banho, trocar fralda, dar de mamar e ficar observando as mínimas necessidades. Como se não bastasse, ao anoitecer, o bebê chora, chora e chora sem parar. O cansaço e a irritação dos pais misturam-se à preocupação e sentimento de impotência, culminando muitas vezes em desespero e pensamentos, tais como se há necessidade de tanto sofrimento para ser pai e mãe. Mas afinal, o que é essa cólica, qual é a causa e o que fazer quando ela acontece? A dificuldade começa aqui O termo cólica se origina de Kolikos, adjetivação de kolon, ou intestino grosso (porção final do intestino). A maioria das pessoas entende que cólica do bebê é uma dor desencadeada por contrações no intestino, que causam um choro inconsolável na criança.

Entretanto, não se pode afirmar ao certo que a criança com cólica esteja tendo uma alteração na barriga, nem mesmo há certeza absoluta de que a criança está sentindo dor, já que a feição da criança, o aspecto de desespero e a contração das pernas são muitas vezes semelhantes a quando ela está com fome, frio, ou está “molhada”, cansada ou com sono. Alguns autores mais radicais se recusam a usar a nomenclatura “cólica” pela falta de evidências fortes de existência de dor ou alteração no cólon e, por isso, propõem que o melhor termo para o fenômeno é “choro excessivo”. Apesar disso, o que é consenso entre os pediatras é que trata-se de um problema freqüente no bebê, que se inicia no final da primeira semana de vida, sendo caracterizado por choro intenso na criança, que não se consola. Predomina no período noturno e gera um grau variável de ansiedade nos pais, sem que a criança tenha um problema objetivo como infecção de ouvido, obstrução intestinal, fome, fralda molhada, frio ou calor, e desaparece após os três meses.

Caracterizando a cólica

- choro inconsolável que pode durar horas -feições de angústia e irritabilidade

- coxas fletidas sobre o abdômen

- início na 2ª semana de vida

- melhora importante após os três meses

- vai e volta

- mais freqüente no final de tarde e início da noite

- gera ansiedade de diversos graus nos pais

- a criança elimina gases

- a criança não tem outra doença

Desvendando a causa da cólica

Apesar da cólica do bebê ser conhecida desde a antiguidade, não se sabe ainda qual é a origem desse problema. Várias teorias já foram apresentadas, mas nenhuma consegue explicar sozinha a causa da cólica. Provavelmente a resposta está na associação de vários fatores com diferentes intensidades. Vamos observar alguns deles: alimentação da criança e da mãe que amamenta

- quando a técnica de amamentação é inadequada e a criança deglute uma quantidade excessiva de ar junto com o leite, parte desse ar se desloca pelo intestino, criando uma distensão abdominal e conseqüente dor. O tipo de alimento oferecido à criança e alimentos ingeridos pela mãe que amamenta podem também estar relacionados com a cólica, apesar de não existir prova científica. Mesmo assim, pediatras geralmente recomendam leite materno exclusivo para o bebê nessa faixa etária e orientam as mães que amamentam a evitarem alimentos contendo cafeína, certos tipos de carnes gordas, chocolates, além das medicações que podem ser excretadas pelo leite. Ambiente psicossocial da criança – segundo algumas teorias, a cólica do bebê é reflexo do ambiente psicossocial da criança, isto é, do estado de angústia das pessoas mais próximas da criança – geralmente mãe e pai. A maior dificuldade quando se tenta provar essa teoria é estabelecer quanto do estado de ansiedade da mãe e dos familiares é causa da cólica e quanto é conseqüência de presenciar o choro da criança.

Particularidade da criança

- os livros antigos, quando abordam a questão da cólica, afirmam que esta é um distúrbio ligado à imaturidade do trato gastrintestinal e do sistema nervoso central do lactente. Por outro lado, as teorias mais modernas têm dado maior ênfase aos fatores psicológicos/temperamentais da criança na gênese da cólica. A dificuldade básica para a comprovação destas teses está na complexidade da definição de temperamento numa criança com poucos meses de vida.

Relação pais-bebê

- segundo este modelo, a cólica deriva de uma reação inadequada dos pais frente ao choro da criança quando o lactente acaba de mamar e chora pelo trabalho desempenhado. A criança está chorando por estar exausta, e se fosse deixada, acalmaria e o choro passaria. Entretanto, a mãe pega a criança no colo achando que ela está tendo algum problema sério e tenta acalmá-la, levando-a de um lado para o outro. O bebê se acalma no primeiro momento, mas passa a chorar novamente por estar mais cansado. A mãe pega novamente a criança para acalmá-la e novamente o choro cessa por certo momento, mas logo que é colocada no berço recomeça a chorar.

Imaturidade hormonal

- segundo algumas teorias, dois hormônios controlam a motilidade (movimento) intestinal: a serotonina, que causa contração, e a melatonina, que responde pelo relaxamento do intestino. O “desbalanço” destas substâncias devido à imaturidade do sistema de liberação da melatonina no período noturno provoca aumento de espasmo intestinal e conseqüentemente a cólica. O que fazer frente à cólica do lactente Antes de tomar qualquer providência, é importante ter certeza que o choro se deve à cólica. Veja se o que está acontecendo está de acordo com o quadro anterior, Caracterizando a Cólica, e analise se, realmente, a criança não pode estar com alguma doença. Para isso, provavelmente haverá necessidade de uma consulta pediátrica logo nas primeiras vezes. Quando a criança tem repetidas crises, os pais acabam reconhecendo o problema com facilidade, mas sempre que houver dúvida é aconselhável que se procure o médico. É fundamental que os pais tenham uma boa relação com o pediatra da criança, relatando todo o sentimento de angústia em que se encontram.

Não existe um tratamento único para cólica na infância que seja efetivo, mas aqui vão algumas dicas que poderão ser úteis:

1. Considerar sempre as seguintes possibilidades para tentar saber o porquê do choro: a criança está chorando e quer ser alimentada; a criança quer sugar, apesar de não estar com fome; a criança quer colo; a criança está entediada e quer ser estimulada; a criança está cansada e quer dormir; a criança está molhada, com frio ou calor; (Independente da ordem, tente verificar e suprir uma possível necessidade, tentando outra alternativa a cada 5 minutos. Caso a criança continue chorando após excluída uma doença atual, provavelmente a criança está com cólica).

2. Os pais devem saber que se trata de um problema comum da faixa etária e é normal que isso gere angústia. Entretanto, o manejo dos pais em relação a essa angústia deve mudar, sendo necessário que fiquem mais calmos.

3. O uso de chupeta na criança, colocação de bolsa de água quente na barriga, massagem abdominal e os exercícios dos membros inferiores sobre a barriga sempre são válidos.

4. Deve-se certificar se a técnica de amamentação está correta. É importante que a criança abocanhe a aréola toda para que não engula ar, causando distensão da barriga e cólica. A amamentação demasiada pode também provocar cólica.

5. Uma vez que a criança já foi acalantada, não deixá-la muito tempo no colo, mesmo que esta chore, pois deve-se considerar a possibilidade de estimulação excessiva. É importante propiciar ambiente tranqüilo ao bebê.

6. Os médicos geralmente recomendam antiflatulentos (auxilia na eliminação de gases) ou chás de ervas (para relaxamento do intestino), mas não se deve usar nenhuma medicação sem antes consultar um pediatra, pois a cólica poderá piorar pela irritação do estômago e também porque a criança facilmente se intoxica nessa faixa etária.

7. Nos casos mais graves ou muito constantes, vale a pena pedir que o pediatra acompanhe a criança de perto, com retornos e aconselhamentos freqüentes. O lar onde nasce uma criança passa por uma séria transformação de toda rotina. Muitas vezes, a alegria do nascimento pode querer se apagar por causa de vários transtornos, entre eles, a cólica do bebê. Sabendo que é um problema comum e passageiro e que a ansiedade dos pais só tende a piorar a situação, eles devem se contrapor ao choro da criança com um belo sorriso e bastante atenção.

Autor: N/D – retirado de medcenter.com

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