UFSC intensifica pesquisa com célula-tronco para melhorar transplante

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina vêm tentando aumentar o número de células-tronco originadas do cordão umbilical para viabilizar transplantes em adultos, já que estas são as células de maior aceitação em cirurgias. O professor e coordenador das pesquisas de células-tronco da UFSC, Marcio Alvarez, explica que a quantidade retirada do cordão umbilical é pequena.
    
“As chances de transplante em um adulto são muito pequenas, devido à pouca quantidade de células-tronco. Se a gente conseguir expandir as células, vamos poder atuar de forma bem mais positiva”, explica Alvarez.
    
Os transplantes já vêm sendo feitos em crianças, já que existe um banco de sangue de cordão umbilical, feito pelo Ministério da Saúde. “Mas sempre que fazemos o transplante, temos que pensar na possibilidade de rejeição”, afirma o coordenador.
    
Ele explica que pela pouca quantidade de células, se for um adulto, ou até mesmo um jovem pesado – com mais de 60 quilos -, as chances de compatibilidade são mínimas. Os testes da pesquisa estão sendo feito em animais.
    
Além disso, há a preocupação de que as células-tronco a partir do cordão umbilical possam gerar tumores, ao invés de reconstituir os tecidos humanos. Isso porque, de acordo com o coordenador, elas crescem muito rápido. “Por isso, estamos estudando a possibilidade de usar as células em forma de medicamento, que é a chamada terapia celular”. O tratamento seria feito de forma gradual, como se fossem doses de remédio.
    
Um dos financiadores da pesquisa é o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Para o coordenador de biotecnologia e recursos genéticos do órgão, Sérgio Lessa, esses investimentos são importantes para o tratamento de doenças como câncer. “Queremos gerar conhecimento para que esses estudos tenham uma aplicação prática e possamos resolver problemas na área de células-tronco”.
    
As células-tronco servem para substituir aquelas destruídas por doenças, como o câncer. Elas se dividem, reconstruindo células semelhantes às originais, e podem se transformar em outros tecidos do corpo, como ossos, nervos, músculos e sangue.

Autor: Aline Bravim