A cólica ataca novamente!

Choro estridente, barriga dura e pernas encolhidas. É a terrível cólica que está chegando! Até o terceiro mês de vida um grande número de bebês vive momentos de crise.

– Colo, carinho e massagem
– A viagem da alimentação
– Choro com hora marcada

Em geral os bebês saem da maternidade muito calminhos. Dormem quase todo o tempo, não dão o menor trabalho. Mas dias depois se põem a berrar deixando suas mães extremamente aflitas. A cólica atinge a maioria dos recém-nascidos a partir do 14º dia de vida e, geralmente, se estende até os 3 meses. Pode variar a intensidade e a duração. O motivo de manifestar-se depois desse período ainda é desconhecido, mas uma explicação pode ser a imaturidade dos órgãos digestivos do pequeno.

Colo, carinho e massagem
Identificar o problema, a princípio, é difícil. Mas com alguns dias, já é possível distinguir os sintomas. A primeira característica é um choro intenso com pequenas pausas. De repente diminui e a criança se acalma inesperadamente. Em geral, esse quadro apresenta-se durante a amamentação, ou alguns minutos depois. Observe seu bebê enquanto isso acontece. A barriga dele provavelmente está dura e as pernas encolhidas. Esses são os indícios da cólica.

Quando são fracas, podem durar aproximadamente 5 minutos. Tente tranqüilizar seu filho. Faça massagens com movimentos leves e circulares sobre a barriga dele. Aos poucos ele se acalma e dorme. Se a dor for muito intensa, o pequeno chora muito e ingere mais ar, o que pode piorar a cólica. Nesse caso, nem sempre a massagem alivia e aí é preciso medicar. Ligue para o pediatra e peça uma orientação.

A viagem da alimentação
A cólica não é uma doença. É um incômodo generalizado e habitual que provoca uma sensação desagradável. Ocorre porque todo o organismo e, principalmente, o aparelho digestivo ainda está em desenvolvimento. Nas primeiras semanas de vida ele recebe menor quantidade de alimentos.

Quando o recém-nascido mama, ingere ar, propiciando um aumento da dor. Pela imaturidade dos órgãos, algumas etapas da digestão deixam de ser cumpridas. Como não há mastigação, o alimento não se mistura à saliva, repleta de enzimas que cumprem o papel de preparar a comida até que ela chegue ao estômago.

Neste órgão, o leite fica armazenado por muito tempo. E aí acontece o “reflexo gastro cólico”, aquele barulho que ouvimos durante a digestão: é o leite passando rapidamente do estômago para o intestino. Em crianças maiores e adultos, essa é a etapa em que o bolo alimentar é preparado com ácido clorídrico para depois passar para o intestino, onde outras enzimas farão seu trabalho.

Choro com hora marcada
O bebê ainda não é capaz de completar esse processo. Como a capacidade do estômago é bem maior que a do intestino, este se distende, provocando dor. Por isso, o bebê chora intensamente. Depois de alguns minutos, porém, a cólica melhora. À medida que o alimento vai sendo eliminado a dor diminui.

No decorrer do dia seu filho pode ter mais de uma indisposição como essa. Contudo, existe um horário mais propício para as crises: no fim da tarde, porque a criança está mais tensa e agitada. Nesses momentos ofereça a chupeta. Com movimentos de sucção ela pode aliviar a ansiedade e a tensão.

Autor: Leonardo Posternak
O dr. Leonardo Posternak é médico pediatra, membro do Departamento de Pediatria do Hospital Israelita Albert Einstein. Co-autor do livro E Agora, o que Fazer? A Difícil Arte de Criar os Filhos, Editora Best

Sou pai e meu bebê está com cólica

São três horas da manhã. Todos estão dormindo, meu filho começou a chorar. Engraçado, o menino mamou há pouco, estava dormindo… Olho para minha esposa, mas ela já está muito cansada; afinal, cuidar dele não é moleza! Então, eu, como bom pai que sou, me levanto e vou cuidar dele. Ao chegar perto do berço, o examino todo, mas ele não pára de chorar: Não está com fome, a fralda está limpa e não adianta “dar colinho”. O choro é forte e incessante e a criança se estica toda. E agora, o que devo fazer? Foram nove meses de muita ansiedade na espera, uma tremenda alegria ao nascimento e uma grande festa da família na chegada da maternidade.

O bebê agora passa a ser o centro da atenção e trabalho do lar, não permitindo que pai e mãe saiam um só instante da rotina de dar banho, trocar fralda, dar de mamar e ficar observando as mínimas necessidades. Como se não bastasse, ao anoitecer, o bebê chora, chora e chora sem parar. O cansaço e a irritação dos pais misturam-se à preocupação e sentimento de impotência, culminando muitas vezes em desespero e pensamentos, tais como se há necessidade de tanto sofrimento para ser pai e mãe. Mas afinal, o que é essa cólica, qual é a causa e o que fazer quando ela acontece? A dificuldade começa aqui O termo cólica se origina de Kolikos, adjetivação de kolon, ou intestino grosso (porção final do intestino). A maioria das pessoas entende que cólica do bebê é uma dor desencadeada por contrações no intestino, que causam um choro inconsolável na criança.

Entretanto, não se pode afirmar ao certo que a criança com cólica esteja tendo uma alteração na barriga, nem mesmo há certeza absoluta de que a criança está sentindo dor, já que a feição da criança, o aspecto de desespero e a contração das pernas são muitas vezes semelhantes a quando ela está com fome, frio, ou está “molhada”, cansada ou com sono. Alguns autores mais radicais se recusam a usar a nomenclatura “cólica” pela falta de evidências fortes de existência de dor ou alteração no cólon e, por isso, propõem que o melhor termo para o fenômeno é “choro excessivo”. Apesar disso, o que é consenso entre os pediatras é que trata-se de um problema freqüente no bebê, que se inicia no final da primeira semana de vida, sendo caracterizado por choro intenso na criança, que não se consola. Predomina no período noturno e gera um grau variável de ansiedade nos pais, sem que a criança tenha um problema objetivo como infecção de ouvido, obstrução intestinal, fome, fralda molhada, frio ou calor, e desaparece após os três meses.

Caracterizando a cólica

– choro inconsolável que pode durar horas -feições de angústia e irritabilidade

– coxas fletidas sobre o abdômen

– início na 2ª semana de vida

– melhora importante após os três meses

– vai e volta

– mais freqüente no final de tarde e início da noite

– gera ansiedade de diversos graus nos pais

– a criança elimina gases

– a criança não tem outra doença

Desvendando a causa da cólica

Apesar da cólica do bebê ser conhecida desde a antiguidade, não se sabe ainda qual é a origem desse problema. Várias teorias já foram apresentadas, mas nenhuma consegue explicar sozinha a causa da cólica. Provavelmente a resposta está na associação de vários fatores com diferentes intensidades. Vamos observar alguns deles: alimentação da criança e da mãe que amamenta

– quando a técnica de amamentação é inadequada e a criança deglute uma quantidade excessiva de ar junto com o leite, parte desse ar se desloca pelo intestino, criando uma distensão abdominal e conseqüente dor. O tipo de alimento oferecido à criança e alimentos ingeridos pela mãe que amamenta podem também estar relacionados com a cólica, apesar de não existir prova científica. Mesmo assim, pediatras geralmente recomendam leite materno exclusivo para o bebê nessa faixa etária e orientam as mães que amamentam a evitarem alimentos contendo cafeína, certos tipos de carnes gordas, chocolates, além das medicações que podem ser excretadas pelo leite. Ambiente psicossocial da criança – segundo algumas teorias, a cólica do bebê é reflexo do ambiente psicossocial da criança, isto é, do estado de angústia das pessoas mais próximas da criança – geralmente mãe e pai. A maior dificuldade quando se tenta provar essa teoria é estabelecer quanto do estado de ansiedade da mãe e dos familiares é causa da cólica e quanto é conseqüência de presenciar o choro da criança.

Particularidade da criança

– os livros antigos, quando abordam a questão da cólica, afirmam que esta é um distúrbio ligado à imaturidade do trato gastrintestinal e do sistema nervoso central do lactente. Por outro lado, as teorias mais modernas têm dado maior ênfase aos fatores psicológicos/temperamentais da criança na gênese da cólica. A dificuldade básica para a comprovação destas teses está na complexidade da definição de temperamento numa criança com poucos meses de vida.

Relação pais-bebê

– segundo este modelo, a cólica deriva de uma reação inadequada dos pais frente ao choro da criança quando o lactente acaba de mamar e chora pelo trabalho desempenhado. A criança está chorando por estar exausta, e se fosse deixada, acalmaria e o choro passaria. Entretanto, a mãe pega a criança no colo achando que ela está tendo algum problema sério e tenta acalmá-la, levando-a de um lado para o outro. O bebê se acalma no primeiro momento, mas passa a chorar novamente por estar mais cansado. A mãe pega novamente a criança para acalmá-la e novamente o choro cessa por certo momento, mas logo que é colocada no berço recomeça a chorar.

Imaturidade hormonal

– segundo algumas teorias, dois hormônios controlam a motilidade (movimento) intestinal: a serotonina, que causa contração, e a melatonina, que responde pelo relaxamento do intestino. O “desbalanço” destas substâncias devido à imaturidade do sistema de liberação da melatonina no período noturno provoca aumento de espasmo intestinal e conseqüentemente a cólica. O que fazer frente à cólica do lactente Antes de tomar qualquer providência, é importante ter certeza que o choro se deve à cólica. Veja se o que está acontecendo está de acordo com o quadro anterior, Caracterizando a Cólica, e analise se, realmente, a criança não pode estar com alguma doença. Para isso, provavelmente haverá necessidade de uma consulta pediátrica logo nas primeiras vezes. Quando a criança tem repetidas crises, os pais acabam reconhecendo o problema com facilidade, mas sempre que houver dúvida é aconselhável que se procure o médico. É fundamental que os pais tenham uma boa relação com o pediatra da criança, relatando todo o sentimento de angústia em que se encontram.

Não existe um tratamento único para cólica na infância que seja efetivo, mas aqui vão algumas dicas que poderão ser úteis:

1. Considerar sempre as seguintes possibilidades para tentar saber o porquê do choro: a criança está chorando e quer ser alimentada; a criança quer sugar, apesar de não estar com fome; a criança quer colo; a criança está entediada e quer ser estimulada; a criança está cansada e quer dormir; a criança está molhada, com frio ou calor; (Independente da ordem, tente verificar e suprir uma possível necessidade, tentando outra alternativa a cada 5 minutos. Caso a criança continue chorando após excluída uma doença atual, provavelmente a criança está com cólica).

2. Os pais devem saber que se trata de um problema comum da faixa etária e é normal que isso gere angústia. Entretanto, o manejo dos pais em relação a essa angústia deve mudar, sendo necessário que fiquem mais calmos.

3. O uso de chupeta na criança, colocação de bolsa de água quente na barriga, massagem abdominal e os exercícios dos membros inferiores sobre a barriga sempre são válidos.

4. Deve-se certificar se a técnica de amamentação está correta. É importante que a criança abocanhe a aréola toda para que não engula ar, causando distensão da barriga e cólica. A amamentação demasiada pode também provocar cólica.

5. Uma vez que a criança já foi acalantada, não deixá-la muito tempo no colo, mesmo que esta chore, pois deve-se considerar a possibilidade de estimulação excessiva. É importante propiciar ambiente tranqüilo ao bebê.

6. Os médicos geralmente recomendam antiflatulentos (auxilia na eliminação de gases) ou chás de ervas (para relaxamento do intestino), mas não se deve usar nenhuma medicação sem antes consultar um pediatra, pois a cólica poderá piorar pela irritação do estômago e também porque a criança facilmente se intoxica nessa faixa etária.

7. Nos casos mais graves ou muito constantes, vale a pena pedir que o pediatra acompanhe a criança de perto, com retornos e aconselhamentos freqüentes. O lar onde nasce uma criança passa por uma séria transformação de toda rotina. Muitas vezes, a alegria do nascimento pode querer se apagar por causa de vários transtornos, entre eles, a cólica do bebê. Sabendo que é um problema comum e passageiro e que a ansiedade dos pais só tende a piorar a situação, eles devem se contrapor ao choro da criança com um belo sorriso e bastante atenção.

Autor: N/D – retirado de medcenter.com