Retomando

Em agosto de 2009 ao sabermos que gêmeos estavam a caminho, resolvemos criar este blog, para ser algo parecido com o blog da gravidez do Calvin, e seguiríamos colocando os relatos da gravidez dos gêmeos. Porém quando soubemos que um deles teve problemas de formação e o coração deixou de bater, pensamos em abandonar a idéia deste espaço.

Mas o tempo passou e imaginamos que de qualquer forma ter dois filhos é bom, Dois é bom! E decidimos unificar as informações relevantes do Calvin e do Theo que vai chegar em alguns dias por aqui. E é o que vamos seguir fazendo a partir de agora!

Nada será como antes

As duas linhas do exame positivo marcam uma fronteira bem clara entre a vida que você tinha antes e a que você passa a ter agora. Não, as coisas não VÃO mudar completamente. Elas JÁ mudaram. Agora não é mais só você. Ou só você e seu companheiro. Ou companheira, se você é o pai. Sim, porque, mesmo que o filho não esteja na sua barriga, o mundo já se divide entre AF (antes dos filhos) e DF (depois dos filhos) para os dois. Bem-vindos ao clube. Sim, nunca mais você vai atravessar correndo no farol vermelho. Ou ultrapassá-lo, se dirigir. Tem outras vidas dependendo de você agora. Sentadinhas no banco de trás, elas ocupam o primeiro lugar na lista de prioridades.

Bom, pelo menos tenho nove meses para me preparar para a revolução, você pensa. É, a natureza nos dá esse tempo, mas a verdade é uma só: por mais que a gente ensaie, treino é treino e jogo é jogo. Ter um filho muda sua vida para sempre e não é possível preparar-se inteiramente para isso. As semanas passam e parece que está tudo pronto: quarto decorado, roupinhas lavadas e dobradas, mala arrumada. Mas a verdade é que não está. Assim como o adolescente que se preocupa mais com o vestibular do que com a carreira escolhida, os futuros pais se aprontam para o parto, mas estão longe de saber o que REALMENTE vem pela frente.

“Quanto mais os pais planejam as coisas, mais criam a idéia de um filho que não existe”, afirma a psicóloga e escritora Rosely Sayão, mãe de Camila e Fábio. “É preciso esperar o nascimento do bebê para ver o tipo de comunicação que irá se estabelecer, como ele se mostra ao mundo e aí, sim, planejar”, diz.
 
Ou seja, o melhor plano é estar preparado para mudar de plano. As mães – e pais também, com certeza – mais flexíveis, que têm capacidade de aprender com a experiência, vivem a maternidade mais tranqüilamente, concluiu a psicóloga Eliana Marcello De Felice, mãe de Mariana e Carolina, em sua tese de doutorado, em que acompanhou 12 grávidas e, depois, mães recentes e que virou o livro Vivências da Maternidade e Suas Conseqüências para o Desenvolvimento Psicológico do Bebê. “Essas mulheres têm uma maleabilidade maior para se adaptar a cada novo passo, conseguindo compreender o filho em cada momento, transformando- se e crescendo como pessoa a cada nova situação desafiadora”, resume.

Ah, é lógico, você pode pensar. Sim, sim, sim, mas quem disse que a gente consegue ser lógico com tanta coisa acontecendo, atropelando o que a gente imaginava que ia ser? Você pode achar que seria do tipo que jogaria a criança nas costas e escalaria o Nepal no primeiro mês, mas se pegar às voltas com tantos detalhes, fraldinhas, paninhos, cadê o lenço umedecido que ninguém pôs na sacoooola!!!!!!!!, que demora dois meses só para ir até a esquina com o rebento. Relaxe. Ria de você mesmo. Se o lenço umedecido faltar, improvise ou peça para alguém dar um pulo na farmácia mais próxima.

A enfermeira Renata Maciel de Mattos, 27 anos, é um exemplo. Ela estava preparada para algumas mudanças com a chegada do filho Antônio, 3 meses, mas reconhece que seu cotidiano se alterou de forma não imaginada. “Só para ir ao supermercado, por exemplo, preciso me preparar com duas horas de antecedência – tenho de arrumar a bolsa com um monte de coisas, dar de mamar, trocá-lo, fazer várias coisas até sair de casa”, resume. É, sabe aquela frase “em 20 minutos estou aí”? Esqueça.

Help, I need somebody!!!

Além de não ser excessivamente rígida, é preciso pedir ajuda seeeeeempre. Aquela noção de independência que tanto gostamos de cultivar virou história. Fora o fato de ter um ser dependendo de você, é sua vez de também depender de muita gente: babá, escola, avós, tias, amigos… Segundo Eliana, as mães com mais dificuldades são as que acabam se isolando. “Elas acham que precisam dar conta de tudo sozinhas. E se sentem culpadas por não se sentir no paraíso, como se espera. É preciso lembrar que conflito faz parte de toda a experiência humana”, tranqüiliza.

E só a experiência é que irá apontar os novos rumos de sua vida, de seu companheiro e do novo membro da família. Algumas coisas são previsíveis – em geral, a mulher fica mais paciente e tolerante e deixa de ter o tempo só para ela; as vidas doméstica e social do casal ficam mais atribuladas. Mas vai além. “É uma mudança imensa, uma mudança de lugar no mundo e na geração”, diz a psicanalista Regina Orth de Aragão, mãe de Aurélio e Emanoel, presidente da Abebê (Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê). A partir de agora, você deixa de ser só filha, seu marido idem. E passam a fazer parte de um outro grupo, o de pais. Aquele que leva as crianças que choram no avião e do qual os não-pais geralmente não querem nem chegar perto, como nos trechos do livro Vida de Bebê, do autor da série Mad About You, que mostramos aqui.

Ou aqueles que têm as criaturas mais fofas e inteligentes do universo, agora você vai entender esse papo todo de defender e amar a cria…

Por outro lado, a gravidez pode ser um momento para que você se reconcilie com seu passado. Você pode se pegar imaginando como a maneira com que sua mãe o criou afetou seu jeito de ser hoje. Assumindo cada vez mais o papel de mãe ou pai, pode entender melhor sua mãe ou seu pai. Para as mulheres, embora seja impossível antecipar como será a sua experiência como mãe, uma boa pista pode ser dada a partir da relação com a própria mãe, não apenas agora que você é uma mulher adulta, mas toda a experiência anterior. Por mais que a gente diga que vai fazer tudo diferente, pode se pegar repetindo os mesmos “erros” (ou o que achamos que foram erros e podemos descobrir, pela experiência, que foi a maneira possível de lidar com uma série de situações).

Freud explica

O fato é que nos preocupamos, e temos de nos preocupar mesmo, claro, com as consultas pré-natais, os exames todos, os preparativos práticos. Embora a gente já saiba que o estado psicológico da mãe é tão importante quanto as suas condições físicas para o desenvolvimento do bebê, ainda nos concentramos mais no primeiro aspecto.

Com certeza você vai ao seu obstetra todos os meses, mas já conversou com algum psicólogo nesse período? Ou mesmo com outros futuros pais ou pais já com alguma experiência, para compartilhar suas dúvidas, medos, ansiedades? Muito provavelmente, não. Em algumas cidades, é possível participar de grupos de pais recentes e perceber que a coisa nem é tão fácil nem tão difícil como a gente imagina. Só é diferente.

Mesmo que você não encontre um grupo desses onde mora, pode fazer alguma coisa, sim. O casal Rodrigo Menck e Cristina Cavalcanti, que espera Augusto para março, decidiu visitar todos os amigos que já têm filhos.

“Claro que a gente sabe que cada um vive a paternidade a seu modo, mas acho melhor aprender com quem já viveu a experiência do que com manuais de educar crianças. Na prática, a teoria é outra”, resume Menck.

Às vezes, a gravidez acontece num momento em que a mãe está fragilizada e é importante, sim, buscar ajuda, conversar com um terapeuta, por exemplo, para que possa resolver eventuais conflitos internos e, na medida do possível, se fortalecer e se sentir mais preparada para enfrentar o tornado que altera a vida familiar, a vida de casal, tudo.

Às vésperas de ter sua primeira filha, Cristina Bodas, 34 anos, ainda não sabe o que esperar do futuro. “Estou mais ansiosa com o parto do que com o que vem depois”, afirma.

“Talvez devesse me concentrar mais nisso, mas nem tive tempo, pois conciliei o trabalho com os preparativos para a chegada da Clara.” O que Cristina já imagina é que virão noites maldormidas, choros sem explicação e um aprendizado diário de novos hábitos. “No geral, a parte prática – a fralda, o sono – é a menos complicada. O lado não visível traz a maior dificuldade”, diz a psicanalista Regina.

É difícil para muitas mães entender, ainda na gravidez, que o corte do cordão umbilical é apenas o começo de uma era. Para quem aguardou o parto por 40 semanas, parece a reta final. Ler muito e organizar tudo ajuda a preparar a mãe para a empreitada – até certo ponto. Muitos livros sobre como cuidar de crianças são contraditórios e sobram conselhos de pessoas conhecidas e desconhecidas. É também uma época de patrulhas: a patrulha do parto normal (que demoniza quem faz cesárea), a do aleitamento materno, a do “meu filho engatinhou/andou/falou” muito cedo e outras mais. No livro A Máscara da Maternidade, a australiana Susan Maushart vai ainda mais longe: a patrulha mais severa vem da própria nova mãe, que quer assumir todas as responsabilidades de antes.

A vida do casal também muda. “Meu marido é compreensivo, mas esse período foi bem chato como casal”, conta Leila Soares, programadora de 35 anos e mãe de Rafael, 4, e Bianca, 2. “Hoje, estamos quase no mesmo ritmo de antes, a diferença é que a espontaneidade de se agarrar e transar no sofá não existe mais.”

Leila é o tipo de mãe que planejou tudo: do momento de ter os filhos à pausa de um ano na carreira após o nascimento do segundo filho. “Sempre fui muito regrada e organizada, e passei a conviver com imprevistos, que é o que a gente mais tem quando vira mãe. O bom é que, com isso, fiquei ainda mais forte e segura.” Leila e outras mulheres contam que, junto com os imprevistos e aprendizados, a maternidade lhes deu o mais belo dos dons – uma capacidade infinita de amar.

AJUDA AMIGA
Conversar com quem já faz parte do clube é um bom começo

Para a futura mãe, o melhor exemplo do que vem pela frente pode vir de quem está passando por momentos parecidos com o dela. Foi o que descobriu a psicóloga paulista Eliana Pommé, mãe de Luana, Naila e Petrus, e a levou a desenvolver, há mais de 20 anos, um trabalho com grávidas e mães recentes. “Faço grupos de no máximo cinco e no mínimo duas mulheres, que discutem suas experiências de gravidez e recebem para conversar mães que passaram pelo grupo e hoje estão com seus bebês pequenos”, relata. É uma experiência que leva a mulher a pensar em suas fantasias como mãe e antecipar algumas ansiedades futuras para poder lidar melhor com elas. Os companheiros podem participar, em encontros especiais. “Eles também precisam dividir a experiência do momento, mas são mais fechados”, diz. Os encontros não são pura conversa: há um trabalho corporal que envolve conceitos da ioga, eutonia, antiginástica e psicologia de Reich.

ANTES DO FILHO
“A mulher sorriu
— Sabe, há alguns anos, a gente era igualzinho a vocês. A gente entrava num avião e rezava pra não sentar perto de alguém com crianças.
— Ah, a gente não se incomoda de sentar perto de crianças
– minha esposa disse, defensiva. – Nós adoramos crianças.
— Escuta, não precisa fingir. Eu compreendo. Mas as coisas mudam. Vocês vão ver. Antes da gente ter… FUAAAP! O som da cabeça da sua filhinha colidindo com o carrinho de bebidas pôs fim à conversa. Olhamos de novo, carregados de culpa, e vimos essa mulher, que agora era menos uma personagem de desenho animado e mais uma pessoa real, enquanto punha sua filha no colo e beijava o galo fresquinho na cabeça dela.
— Que lindo… – diz a minha querida.
— Umm-umm. Muito lindo.
— Quero ter filhos – ela diz.
— Ora, quem disse que não?
— Mas não agora.

DEPOIS DO FILHO
— E como é? – o cara perguntou.
— Como é o quê? – eu disse, fazendo jogo duro.
— Ter filhos. É legal? Sabe, a gente quer ter filhos, mas todo mundo diz que muda completamente a sua vida. Virei para minha esposa. O que se poderia dizer para eles? Será que a gente devia contar para eles que ter um filho te drena, te esgota, te exaure e te frustra até que você acaba escondido no carro gemendo como um cachorrinho? Como é que você explica que ter um filho afasta duas pessoas mais do que qualquer outra coisa, porém une essas mesmas pessoas mais profundamente do que antes, de uma maneira mais mágica – tudo ao mesmo tempo?
— É, é bom sim. Vocês vão ver. Segurei nas mãos o rostinho do meu filhinho e sapequei um beijo suculento na sua bochecha. Beijei minha esposa também.
— O que a gente fazia antes de ter esse menino? – perguntei.
— Aquilo… – ela disse, sorrindo para o outro casal.
— Mas agora somos isto – ela disse.
Nosso filho estava sentado no colo da mãe, uma mãozinha apertando os dedos dela, outra apertando o meu nariz.
— Sabe de uma coisa? – eu disse. – Gosto mais disto.
Trecho de Vida de Bebê, de Paul Reiser, ed. Objetiva

AS QUALIDADES DAS MÃES QUE NÃO PADECEM NO PARAÍSO

A psicóloga Eliana De Felice concluiu que elas facilitam uma maternidade mais feliz

Maturidade emocional: nem sempre tem relação com a idade cronológica. Envolve a capacidade de aceitar renúncias positivas, ou seja, trocar coisas de que gostava muito antes por outras, como deixar de ir para a balada para cuidar do bebê sem sofrer tanto.

Flexibilidade da personalidade: Mães muito rígidas, que não se permitem transformar com os acontecimentos, têm mais dificuldades.

Capacidade de aprender com a experiência: já se disse que todo conhecimento provém do erro. Se a gente consegue ir encontrando soluções à medida que as coisas acontecem, fica tudo mais simples.

Capacidade de superar angústias: a cada vez que o filho regurgita você entra em crise? É necessário olhar para si e se perguntar por que fica tão angustiada. Se, mesmo com o passar do tempo, você não se sente mais calma, procure apoio psicológico.

Autor: Totó, acho que não estamos mais no Kansas. Assim como Dorothy

As emoções da grávida

Logo no início da gestação, a futura mamãe já tem uma certeza: conviver com a complicada gangorra de emoções que caracterizam a gestação.

Num dia acorda bem, feliz , e acha o máximo aquela “barriguinha”\’ No outro, não quer nem olhar para o espelho e enfrenta um insuportável mau humor.

Pois é… a gravidez não é tão rósea como te contaram. Existem todas as mudanças físicas, associadas aos hormônios, bem como a insegurança e a ansiedade, sentimentos que sempre acompanham as situações novas.

Gestar é lidar com algo completamente novo, desconhecido, a mulher fica naturalmente mais sensível, apreensiva e até chorosa.

Uma gestação dura 4 trimestres. ( Isso mesmo, 1 ano inteirinho! ) São 9 meses com o bebê dentro da barriga e 3 com ele no colo.

Primeiro trimestre: Período de descobertas e de muita instabilidade. O corpo ainda não se modificou muito, mas dúvidas não faltam à gestante: se é a hora certa para ter um bebê, se será boa mãe, se o bebê será perfeito, se o marido continuará gostanto dela, mesmo barriguda, etc.
Como resultado de tanta ansiedade, uma queda da libido e um estado de irritação constante.

Daí podem surgir também os enjôos , desmaios e crises de choro, que funcionam como símbolos inconscientes, mas muito concretos dessa gestação.

Segundo trimestre: Aí vem um período de paz. Agora seu corpo já assumiu os contornos da gravidez, seu bebê já aparece na tela do ultra-som e o futuro pai já se sente mais encorajado a se aproximar da barriga. Provavelmente, você terá muitos momentos de alegria com esse bebê mexendo, e sua disposição estará em alta.

Terceiro trimestre: De novo as preocupações com o bebê voltam à tona, acompanhada da ansiedade e temores em relação ao parto.

Quarto Trimestre: Agora seu filho já está no colo e esse é o melhor lugar para ele nesses primeiros 3 meses, mesmo porque ele não sabe que nasceu (portanto não vai ficar mal-acostumado). Mas ele sente saudades da barriga e só o contato com você pode ajudá-lo a sentir-se confortável.
Aproveite mais um pouquinho essa gestação que continua, só que externamente.

Dicas para todos os meses:

* Nos momentos mais difíceis, respire fundo, beba um copo de água e lembre-se que é uma fase transitória, quer dizer, que logo passa.

* Não guarde as dúvidas e medos só para si, divida com seu médico, amigas e seu companheiro.

* Procure um bom curso para gestantes e uma atividade física como hidroginástica, yoga ou relaxamento.

• Reserve alguns minutos diários para cuidar de si mesmo e do seu corpo grávido.

Autor: Clarice Skalkowicz Jereissati
Psicóloga