Fórmula enriquecida para prematuros?

De acordo com estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition, não há vantagens em utilizar fórmulas enriquecidas em prematuros após a alta hospitalar.

Os pesquisadores compararam o crescimento, massa corporal e composição corporal de 89 prematuros divididos aleatoriamente para receber uma fórmula enriquecida ou fórmula padrão por um ano após a alta.

Os escores das variáveis de crescimento foram significantemente maiores nos alimentados com a fórmula padrão. Este grupo também apresentou maior conteúdo mineral ósseo, massa de gordura e massa magra.

Os ensaios clínicos anteriores foram inconclusivos, apesar do benefício teórico da fórmula enriquecida e este estudo não conseguiu demostrar qualquer benefício do seu uso, levantando questões importantes a serem investigadas futuramente. Os autores sugerem que um bom tratamento envolve o seguimento cuidadoso deste grupo de pacientes, visão críticas dos artigos científicos e ceticismo quanto à propagandas das formulações.

Autor: Reuters Health

Soy protein infant formulae and follow-on formulae

Abstract:

This comment by the ESPGHAN Committee on Nutrition summarizes available information on the composition and use of soy protein formulae as substitutes for breastfeeding and cows’ milk protein formulae as well as on their suitability and safety for supporting adequate growth and development in infants.

Soy is a source of protein that is inferior to cows’ milk, with a lower digestibility and bioavailability as well as a lower methionine content. For soy protein infant formulae, only protein isolates can be used, and minimum protein content required in the current legislation is higher than that of cows’ milk protein infant formulae.

Soy protein formulae can be used for feeding term infants, but they have no nutritional advantage over cows’ milk protein formulae and contain high concentrations of phytate, aluminium, and phytoestrogens, which might have untoward effects. There are no data to support the use of soy protein formulae in preterm infants. Indications include severe persistent lactose intolerance, galactosemia, and ethical considerations.

Soy protein formulae have no role in the prevention of allergic diseases and should not be used in infants with food allergy during the first 6 months of life. If soy protein formulae are considered for therapeutic use in food allergy after the age of 6 months because of their lower cost and better acceptance, tolerance to soy protein should first be established by clinical challenge.

There is no evidence supporting the use of soy protein formulae for the prevention or management of infantile colic, regurgitation, or prolonged crying.

Comentários:
Este comentário do Comitê de Nutrição da European Society for Paediatric Gastroenterology Hepatology and Nutrition (ESPGHAN) resume as informações disponíveis quanto à composição e uso da fórmula de soja como substituto do leite materno e das fórmulas à base de proteína do leite de vaca, bem como sua adequação e segurança para promover crescimento e desenvolvimento adequados.

O valor biológico da proteína de soja é menor quando comparado à proteína do leite de vaca e é recomendável o acréscimo de metionina para garantir crescimento adequado. A legislação vigente permite apenas o uso de proteína de soja na forma isolada e exige teor protéico maior do que das fórmulas à base de proteína do leite de vaca, para compensar a menor digestibilidade e biodisponibilidade. Recém-nascidos de termo apresentam crescimento adequado com uso de fórmula de soja, mas não há vantagens nutricionais em relação às fórmulas à base de proteína do leite de vaca.

As fórmulas de soja contêm em torno de 1 a 2% de fitatos, os quais podem prejudicar a absorção intestinal de zinco, ferro e interferir no metabolismo do iodo. Também apresentam alto conteúdo de alumínio em comparação com leite materno ou fórmula à base de proteína do leite de vaca, mas ainda não se sabe as conseqüências a longo prazo. Além disso, as fórmulas de soja contêm fitoestrógenos (isoflavonas) em quantidades maiores do que no leite materno ou de vaca. As isoflavonas podem interferir no metabolismo do estrogênio e ainda não se sabe as conseqüências futuras do seu consumo no desenvolvimento sexual ou fertilidade.

As fórmulas de soja estão indicadas em casos de intolerância à lactose persistente grave (incluindo dano grave à mucosa, deficiência hereditária de lactase e galactosemia) e por razões éticas, religiosas ou filosóficas, como no caso de vegetarianos. Geralmente não se recomenda a troca de fórmula com lactose por fórmula de soja (isenta de lactose) em casos de gastroenterite aguda. Não há evidências para se recomendar o uso de fórmula de soja para prematuros ou para prevenção/controle de cólicas, regurgitação ou choro excessivo. A fórmula de soja não tem papel na prevenção de doenças alérgicas.

Nos casos de alergia alimentar, o Comitê recomenda o uso preferencial de fórmulas extensamente hidrolisadas (ou à base de aminoácidos quando essas não forem toleradas). Se a fórmula de soja for considerada para uso terapêutico na alergia alimentar, após os 6 meses de idade, devido ao menor custo e melhor aceitação, deve-se certificar que haja tolerância à proteína de soja. Esta conduta difere da Academia Americana de Pediatria, que considera o uso de fórmula de soja, a partir dos 6 meses, nos casos de alergia à proteína do leite de vaca IgE-mediada. O Comitê conclui que as fórmulas de soja devem apenas ser utilizadas em situações específicas, por se desconhecer as conseqüências do seu consumo. Além disso, recomenda às empresas a redução no teor de fitatos, alumínio e fitoestrógenos das fórmulas de soja e disponibilização de informações sobre o conteúdo destas substâncias no produto.

Autor: A Commentary by the ESPGHAN Committee on Nutrition (Fórmula infantil à base de proteína de soja e fórmula de seguimento: um comentário do Comitê de Nutrição da ESPGHAN). ESPGHAN Committee on Nu